Experiências que transformam:
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COSEMS-PR · Movimentos formativos

Quando o indicador vira diálogo: educação permanente e cooperação regional na qualificação da APS

Gabriel Modesto de Oliveira Apoiador(a) Paraná ID 001

Introdução

A mudança no modelo de financiamento da Atenção Primária à Saúde deslocou o foco da gestão municipal para os indicadores de acompanhamento, vínculo e qualidade como expressão concreta do modo de produzir cuidado nos territórios.

Mais do que uma mudança financeira, colocou em evidência a necessidade de ressignificar processos de trabalho, fortalecer a organização da APS e reafirmar seu papel estratégico na rede.

Nesse contexto, tornou-se evidente que a simples transmissão de informações técnicas não seria suficiente para fomentar transformações duradouras.

Os indicadores passaram a ser compreendidos como dispositivos capazes de tensionar práticas, revelar potências locais e induzir processos de reflexão coletiva.

É a partir dessa compreensão que se constrói a experiência, ancorada na Educação Permanente em Saúde, na cooperação regional e no protagonismo municipal.

Objetivos

Construir, no âmbito da 2ª Região de Saúde – Metropolitana (Curitiba), Estado do Paraná, um espaço permanente de diálogo, aprendizagem e cooperação, focado na APS, no qual os indicadores do Componente Qualidade fossem apropriados de forma crítica e coletiva, fortalecendo a educação permanente, valorizando práticas existentes nos territórios e induzindo processos de qualificação do cuidado e da gestão.

Metodologia

Optou-se por uma estratégia orientada pelos princípios da EPS, tomando o cotidiano da gestão e do cuidado como eixo de aprendizagem.

Foi reativada a Câmara Técnica da APS, em parceria com a Regional de Saúde, como espaço permanente de reflexão e construção coletiva. A primeira oficina ocorreu em julho de 2025.

Cada encontro foi dedicado ao aprofundamento de um único indicador, com alinhamento conceitual dialogado a partir das fichas de qualificação, apresentação de experiência exitosa de um município participante, aplicação de questionário reflexivo individual e discussão em grupos, com posterior socialização no coletivo.

As contribuições foram sistematizadas no documento “Boas Práticas na APS da 2ª Região de Saúde”, compartilhado com gestores e equipes, dialogando também com experiências da Mostra Brasil, Aqui Tem SUS.

Resultados e discussão

Já foram realizadas quatro oficinas, com ampla participação dos municípios. A experiência deslocou os indicadores de uma lógica normativa para uma abordagem pedagógica, valorizando práticas existentes, explicitando desafios compartilhados e fortalecendo a cooperação intermunicipal.

Observou-se mobilização do pensamento crítico, qualificação do planejamento local e replicação da metodologia junto às equipes municipais.

Imagem ilustrativa do trabalho
Figura 1 — Imagem, gráfico ou registro relacionado à experiência.

Considerações finais

A experiência evidencia que o apoio institucional, quando orientado pela escuta e pela construção coletiva, fortalece a governança regional e potencializa a APS.

Ao transformar indicadores em dispositivos de aprendizagem e reflexão, a iniciativa reafirma o protagonismo municipal, promove inovação no cotidiano da gestão e apresenta elevada capacidade de replicação no SUS.

Referências

Brasil. Ministério da Saúde. Guia da Estratégia Apoiador COSEMS-CONASEMS. Brasília: Ministério da Saúde, 2021.

Brasil. Ministério da Saúde. Política Nacional de Educação Permanente em Saúde: o que se tem produzido para o seu fortalecimento? Brasília: Ministério da Saúde, 2018.

Brasil. Ministério da Saúde. Notas metodológicas dos indicadores do Componente Qualidade. Secretaria de Atenção Primária à Saúde, 2025.

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